Já era noite,bem proximo da madruada penetrar naquele lugar, aquelas pessoas,tão soltas e tão livres quanto o vento que passava lento pelo seu rosto.De repente uma voz grosseira chama o seu nome sem cessar,e antes que pudesse chegar lá e se fazer presente naquele lugar que já não era mais tão acolhedor, a moça ouviu palavras duras, secas,que ecoaram alma a dentro.As mão tremiam, os olhos marejavam, parece que pela primeira vez na vida, aquela moça,que não é exemplo de vida pra ninguém, mas também não é tão descartável assim a ponto de nem se quer ser ouvida, olhava perplexa para aquela boca, que pronunciava cada mais alto,e cada vez mais cortante, inverdades,e falso moralismo de primeira.A moça baixou a cabeça, não conseguia dizer uma palavra se quer, mas seus olhos falaram tudo, como sempre falam,e gritaram sem cessar a sua indignação diante do falso moralismo exorbitante expelido pela boca-navalha da senhora.E saiu pensativa, triste,magoada,era necessário dizer tanta coisa, tantas verdades, mas a moça sabia e ainda sabe que por mais que as verdades sejam jogadas na cara daquela senhora,seram sempre jogadas ao vento,porque a senhora,dona de uma petulancia idescutivel, julga ter sempre razão em tudo, e ver coisas futuras de outras vidas, menos da sua, a senhora, tão dona de si e das vidas dos outros, não enxerga um palmo se quer na frente da sua face tão cheia de marcas tristes e frustradas,aquela senhora, nunca, jamais, em momento algum deixa-se envolver em qualquer tipo verdadeiro de afeto,tem uma necessidade absurda de recebe-los mas na hora de repassa-los ela fracassa,e o pior,nem se quer assume que é fraca o suficiente pra fracassar...Muito pelo contrário acha-se um exemplo a ser seguido, mas aquela moça que baixou a cabeça e engoliu uma a uma as silabas que estavam por vir,não quis seguir nada,ela é dona de uma ousadia invejável, frágil,cabeça dura e orgulhosa, mas aceita criticas, porque sabe que de algum modo essas a farão crescer....
A madrugada penetrou,não só aquela casa, mas a alma da moça, fazendo com que ela refletissee e enxergasse coisas e meros detalhes que outrora passaram despercebidos, e isso doeu, e doi muito ainda na alma da moça, na essência da moça,porque ela detesta falso maralismo, falta de carater,falso testemunho e coisas afins,doi porque durante 23 anos,a moça viu e ouviu ali na carne viva o retrato invertido daquilo que lhe foi repassado ano a ano,a moça ficou triste, porque percebeu que por mais que tente nunca, nunca, irá conseguir fazer com que aquela senhora enxergue a vida por um outro ângulo, entendendo que cada ser é diferente do outro,e as experiências adivindas de suas ações são diversas, e que é necessário correr riscos, entrar de cabeça e mostrar-se por inteiro em toda e qualquer relação...E quando a madrugada começava a sair, as palavras cortantes proferidas pela senhora foram uma a uma, transformando-se em força, luz, e fé dentro da alma da moça,a mágoa foi saindo aos poucos pelos poros,mas a vontade de fazer com que a senhora tome um chá de realidade perdurou e perdura, mas as mãos da moça são muito sensiveis para segurar a xícara transbordado de realidade,e servir SOZINHA essa xícara quente de chá para a senhora,machucaria, queimaria e marcaria as mãos da moças,queimaduras doem, e as marcas não se apagam nunca,então ao invés de servir um chá para a senhora, a moça optou por tomar um copo d'agua,que não era tão quente quanto o chá,mas era tão transparente quanto ela,limpando o corpo, a alma e o coração das impurezas da vida.-Monique Sampaio.

